O Wi-Fi está finalmente rápido o suficiente?

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O Wi-Fi está finalmente rápido o suficiente?

A resposta a esta pergunta sobre o Wi-Fi é surpreendentemente complicada.

Do original Is Wi-Fi finally ‘fast enough?’ Network World | 12 de julho de 2016 08:55 PT

O Wi-Fi tornou-se tão onipresente ao longo da última década e meia que nós falamos sobre isso – e queixamo-nos – como se fosse parte de nossa vida. Seja honesto, usuário médio – a primeira coisa que você pensa quando sua conexão começa a aprontar é “dane-se, o que está errado com o Wi-Fi agora?”

Mas o grau em que o Wi-Fi é provável que seja o fator limitante para qualquer dada conexão está diminuindo. O Wi-Fi tem evoluído rapidamente nos últimos anos, tanto que pode parecer que as redes sem fio estão superando as redes com fio em termos de capacidade bruta.

Então, é o Wi-Fi, por fim, “rápido o suficiente”? A resposta, obviamente, é bastante complicada.

As taxas de dados máximas para o Wi-Fi, conforme definido nas normas do IEEE 802.11, há muito que ultrapassaram as conexões para a internet em casa do americano médio. Os dados recolhidos para os relatórios de estado da Internet da Akamai mostram que a conexão de banda larga média nacional fornecia 3.7 Mbps de rendimento em 2007 – bem abaixo da taxa máxima teórica de 54 Mbps oferecida pelo mesmo 802.11g, uma versão do padrão publicado pela primeira vez em 2003 (O último valor para a velocidade de conexão média de banda larga dos EUA é 15.3 Mbps, a partir do primeiro trimestre de 2016).

Veja o gráfico disponível no site referenciado no final do artigo.

Na prática, porém, o hardware de produção raramente se aproxima da taxa de transferência máxima teórica. Vários clientes, interferência e uma série de outras questões significam que a taxa real com que os pontos de acesso sem fio podem passar informações ao redor é muito abaixo do limite teórico.

Greg Ferro, um analista de rede bem conhecido que bloga no Ethereal Mind, disse à Network World que o conceito de “velocidade”, quando aplicado a redes sem fio, é muito mais complicado do que para as redes com fio.

“[Ele] não é apenas a taxa a que os dados se movem do dispositivo para o [ponto de acesso]”, disse ele. “É também sobre ciclos de funcionamento e disponibilidade porque o espectro sem fio é compartilhado. Taxas de dados mais rápidas significa que as frequências são menos utilizadas ao longo do tempo e, portanto, mais dispositivos são capazes de usar uma determinada estação de base”.

Não apenas velocidades e alimentação (feeds)

O que isto também significa é que maiores taxas de dados podem ajudar a contribuir para o maior problema moderno do Wi-Fi – densidade.

Joel Coehoorn, que é o diretor de TI da York College, em Nebraska, diz que existem três problemas fundamentais que fazem as máximas taxas de transferência no Wi-Fi em grande parte serem avaliadas como inúteis. Em primeiro lugar, as velocidades máximas indicadas são muitas vezes o produto de configurações incomuns que seria inadequado para uso no mundo real, e que a maioria dos dispositivos clientes não está preparada para lidar com eles de qualquer maneira.

Em segundo lugar, muitas pessoas não percebem que um ponto de acesso tem de suportar a menor taxa de dados de um cliente em sua rede, observou ele. Se, por exemplo, um roteador capaz de trafegar a 150 Mbps está suportando quatro clientes, os quais estão tentando fazer download de um arquivo de 100 MBytes, o cliente que só é capaz de alcançar 24 Mbps irá limitar os outros clientes para essa velocidade, uma vez que o roteador terá que “falar 24 Mbps durante essa transferência”. Esse download que poderia ter tido apenas cerca de cinco segundos de tempo no ar, no canal Wi-Fi,  usará agora seis vezes mais”, diz ele.

Finalmente, é claro, vários clientes irão consumir as suas próprias fatias de largura de banda, dividindo a possível taxa de transferência de uma determinada conexão ao número de clientes em um AP – um problema que está atenuado (mitigado) com conexões com fios, que são geralmente full-duplex.

Para Coehoorn, enquanto que os avanços tecnológicos fizeram o Wi-Fi consideravelmente mais rápido e mais capaz de lidar com as demandas de sua onipresença, ele ainda vai ser um gargalo em determinadas situações.

“Os clientes mais antigos e limitações fundamentais continuarão a significar que redes com fio superam a performance de redes wireless, mesmo quando a rede sem fio tenham uma maior taxa de dados bruta”, diz ele.

Mais inovações Wi-Fi estão por vir

Ainda assim, mesmo que a última geração de dispositivos Wi-Fi não se tornou a maravilha de hardware livre de preocupações que os esforços de marketing dos mais entusiastas sugerem, isso não quer dizer que grandes progressos não foram feitos. As capacidades de formação de feixe (beamforming) e de suporte a multiusuários do 802.11ac Wave 2 significa que a tecnologia poderá permanecer no padrão por muito tempo (o mecanismo Wave 2 possui uma taxa de transferência máxima teórica de até 3.47 Gbps, em comparação com os 1.3 Gbps da Wave 1 – Onda 1 -, graças principalmente à tecnologia beamforming acima mencionada e o uso de canais mais amplos – maior largura de banda).

Craig Mathias, um especialista em wireless e colaborador da Network World, diz que as implementações sem fio totalmente otimizadas que usam o mecanismo da 802.11ac Wave 2 devem ser capaz de lidar com a maioria das cargas de trabalho para os próximos cinco anos ou mais. No entanto, ele advertiu, a demanda pode ser difícil de prever.

“Adicionando novos pontos de acesso (AP) com implementações mais densas, e uma gestão mais eficiente, com melhores análises, estarão nas listas de compras da maioria dos gerentes de rede”, diz Mathias. “Nós não estamos ainda no estágio de configurar e esquecer”.

E Mike Leibovitz, diretor do escritório CTO do fornecedor de Wi-Fi Extreme Networks, concorda, dizendo que o desejo de um Wi-Fi melhor e mais rápido entre os CIOs está empurrando para uma maior demanda.

“Certamente os clientes com quem falo, e outros na indústria, as pessoas estão sempre interessadas em colocar mais carros na estrada e ver o quão rápido eles podem ir”, diz ele. “Parece hoje que a maioria das conversas, definitivamente com as pessoas mais elevadas nas organizações …, estão certamente mais focadas na experiência, e no que elas podem fazer no topo da infraestrutura”.

Jon Gold — Escritor Senior

Jon cobre áreas como open-source, móbile e gerenciamento de rede para a Network World.

Disponível em: http://www.networkworld.com/article/3094204/wi-fi/is-wi-fi-finally-fast-enough.html?token=%23tk.NWWNLE_nlt_networkworld_wireless_alert_2016-07-13&idg_eid=90c7fc2d3e03d5a53caa0dfd4d78fcdd&utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_campaign=NWW%20Mobile%20Wireless%20Alert%202016-07-13&utm_term=networkworld_wireless_alert#tk.NWW_nlt_networkworld_wireless_alert_2016-07-13

Acesso em: 160713.

Traduzido e adaptado por Ademar Felipe Fey em 01/08/2016.

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Sobre ademarfey

Professor de TI aposentado. Escritor na área de Redes de Computadores e Telecomunicações. Também pesquisa a Imigração Alemã no Brasil desde 2017.
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